segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Mephisto

Mephisto é baseado em Doktor Faustus, de autoria de Klaus Mann, filho do consagrado escritor Thomas Mann. O romance retrata a vida real de Gustaf Gründgens, apresentado como Hendrik Hoefgen, ator alemão que fora casado com a própria irmã de Klaus Mann, e que permaneceu na Alemanha mesmo após a subida de Hitler ao poder, se tornando um símbolo cultural do regime nazista, principalmente pela sua representação de Mefistófeles na peça Fausto, de Goethe, uma das poucas que eram permitidas na época.

Hendrik Hoefgen é um ator ambicioso que deseja o sucesso, e para isso sacrifica tudo o que acredita: esquece-se de seus ideais bolcheviques, de sua mulata amante alemã e dos próprios escrúpulos para tornar-se o maior ator do regime nazista e, posteriormente, diretor do Teatro Nacional Alemão. Seu ego cresceu proporcionalmente ao tamanho de sua fama, o que acabou causando o seu trágico destino.

A peça Fausto possui duas vertentes dentro da narrativa. A mais óbvia é a que é representada dentro da própria trama, já que a peça serve como consagração definitiva de Hoefgen como ator, encarnando Mefistófeles, e que o permite conhecer o Primeiro Ministro alemão, que o proporcionará todos os seus almejos. A segunda vertente, a do filme como estrutura, subverte os papéis e coloca Hoefgen como o personagem Fausto, ambicioso e que trava um pacto com o diabo para ascender; papel este do diabo que cabe ao personagem do Primeiro Ministro (Rolf Hoppe, inspirado na figura real de Hermann Göring, um dos mais populares líderes nazistas).

A última frase proferida por Hoefgen no filme representa bem o seu personagem. “O que querem de mim? Eu sou só um ator” simboliza o dilema de toda a gama de artistas em regimes totalitários, que muitas vezes sacrificaram – e sacrificam – suas crenças políticas, religiosas e de outros âmbitos em nome da própria sobrevivência. No caso de Hoefgen, este teve culpa por sua trajetória, já que teve a chance do exílio. Morreu em nome da fama e do sucesso. Percebe-se claramente uma reflexão sobre até onde um artista consegue e deve ir com a arte sem se preocupar com questões sociais.

O filme ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1981.

Ficha Técnica:

Título no Brasil: Mephisto
Título Original: Mephisto
País de Origem: Alemanha / Hungria / Áustria
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 166 minutos
Ano de Lançamento: 1981
Estúdio/Distrib.: New Line
Direção: Istvan Szabo


O Custo da Coragem

O filme “O Custo da Coragem”, dirigido por Joel Schumacher e produzido em 2003, mostra a história da jornalista irlandesa Veronica Guerin (Cate Blanchett), que em 1996 foi assassinada, após dois anos de denúncias que ela fez no jornal “Sunday Independent” sobre os poderosos traficantes de heroína em seu país. O grande dilema apresentado na película e que está constantemente presente na vida de jornalistas é como fazer a diferença, melhorar a vida das pessoas, denunciar o que está errado sem, por outro lado, correr riscos de vida e, em casos menos graves, ser banido do mercado?

O cenário é a capital Irlandesa, Dublin, uma verdadeira zona de guerra, onde cerca de 15.000 jovens eram viciados em heroína, número que conferia um imenso poder às gangues e barões do tráfico. Com a vontade de mudar essa realidade e também de conseguir uma grande matéria para seu jornal, a jornalista decidiu ir aos guetos, becos e bares irlandeses, além das casas dos comandantes do tráfico, investigar o que estava por trás do problema. Tais atitudes são praticamente impensáveis à maioria dos jornalistas.

O filme apresenta uma Guerin ousada, corajosa e decidida, que se aproxima dos bandidos para conseguir as informações e, após algumas delas serem erradas, descobre John Gilligan, o chefe do tráfico. Em uma atitude arriscada, ela vai sozinha até a mansão do bandido, onde é espancada e ameaçada. Além disso, sofre ameaças, assim como sua família, e até um tiro na perna . Isso não a intimidou e a fez ir até as últimas consequências em suas investigações. Chama a atenção o fato de ela, pelo menos no filme, não negar em momento algum, durante suas entrevistas, que era jornalista e fazia uma matéria sobre as drogas.

Segundo o filme, o trabalho da jornalista e seu assassinato em 26 de junho de 1996, causou uma grande comoção nacional, o que fez o governo endurecer as leis anti-tráfico e prender 150 envolvidos, o que, por consequência, reduziu em 50% (segundo o site Wikipédia) os crimes no ano seguinte.

Aqui no Brasil, temos o exemplo de Tim Lopes, cuja história assemelha-se ao ser morto por traficantes cariocas. Em São João Del-Rei, o apresentador do “Jornal das Dez”, da Rádio São João, afirma já ter recebido ameaças de pessoas envolvidas com o mundo das drogas, após transmitir notícias sobre eles.

Veronica Guerin ousou e enfrentou de frente poderosos traficantes e, por esse trabalho de combate à droga heroína, acabou se tornando uma grande heroína para a Irlanda.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Loucos pela Arte

O grupo cultural ManiCômicos, que está em cena desde 1998, apresentou, na última quinta-feira (7), a peça "Rosa-Flôr", em seu próprio espaço cultural e conquistou aplausos do público. O espetáculo estreiou em 2007 e aborda um pouco do universo feminino, com base em pesquisas e leituras de Guimarães Rosa, Ruth Rocha e Clarisse Lispector.

Formado em São Paulo, o grupo teatral chegou a se apresentar para 300.000 paulistas de diversas comunidades. Em 2003, atraídos pelos festivais de Inverno mineiros, decidiram se mudar para o estado. A cidade escolhida foi São João del-Rei, o que estimulou os ManiCômicos a buscassem a "mineiridade para seus espetáculos". Nessa busca, "Rosa-Flôr" foi a primeira obra desenvolvida em Minas.

Segundo o ator e diretor da peça, Juliano Pereira, o grupo procura estabelecer um "diálogo com o mundo em que está vivendo" e está em "uma eterna busca pelo aperfeiçoamento técnico e estético, tentando não repetir fórmulas, mas descobrir a cada novo espetáculo, um caminho que leve mais fundo na compreensão do teatro e da relação que ele estabelece com a platéia."

Além de Pereira, a peça conta com os atores Jean, Orlando, Cíntia e Marilaine. O número reduzido de atores, por razões de economia, faz com que cada um interprete vários personagens em um mesmo espetáculo, no entanto, essa limitação do grupo tornou a peça ainda mais divertida.

Os ManiCômicos também realizam atividades educativas, culturais e pedagógicas que levam o teatro e a arte para comunidades e escolas. Um deles é o projeto "Arte por toda parte" que tem o objetivo de tornar a arte mais presente na vida das pessoas. Através desse projeto, são realizados espetáculos e oficinas teatrais em várias comunidades da cidade e região, cursos profissionalizantes de preparação para atores (com certificado do Sated), publicação trimestral da revista cultural do grupo e a realização de um festival anual no palco do teatro Municipal.


Os recursos para as atividades do grupo são obtidos através da venda de ingressos a preços populares e da lei de incentivo à cultura. Com eles , também é mantido o Espaço Cultural ManiCômicos, que além de ser o palco das apresentações do próprio grupo, está disponível à outras pessoas e grupos que promovem atividades culturais. O espaço é amplo e conta com boa infra-estrutura.

Também é desenvolvido o projeto "Dom de Minas" que se compromete a contar a história da cidade por onde passa e fazer o público perceber e conhecer um pouco mais da tradição e dos costumes da sua terra. Ele acontece em São João del-Rei, São Tiago, Lagoa Dourada, Resende Costa, Barroso, Coronel Xavier Chaves, Nazareno e Madre de Deus. Nessas cidades foram realizadas pesquisas culturais e levantamentos da história, origens, curiosidades, costumes e personagens típicos. Em seguida, realizou-se uma oficina com 25 jovens em cada cidade.

Os integrantes do grupo, que participam do Inverno cultural da UFSJ desde 2004, vivem da arte, adoram o que fazem, consideram o teatro um importante instrumento de promoção humana e convidam todos para prestigiarem suas apresentações e apoiarem seus projetos. O Espaço Cultural ManiCômicos fica na rua Industrial Paulo Agostini, 55, Matozinhos, São João del-Rei.

O Agricultor de idéias

Aos 15 anos um jovem mineiro descobre o poder das palavras. A oportunidade de participar de um projeto de rádio comunitária o fez perceber que ao entrar, no futuro, em um curso de jornalismo, escreveria um conhecido clichê. Isso, devido ao fato que a frase “a palavra tem mais poder que as armas” comprova-se verdadeira.
Porém, 7 anos de trabalhos jornalísticos amadores já demonstraram que nem todas sementes de desenvolverão. Esse fato jamais desanimou ou desanimará o futuro jornalista Bruno Ribeiro, pois para ele o importante é dar ao “terreno intelectual” de cada indivíduo, a oportunidade de ter uma boa semente para cuidar. Se pelo menos, nessa história, surgir um bom fruto, já valerão a pena os 4 anos de estudos e dedicação.
O erro principal desse texto, a excessiva repetição da palavra “semente”, demonstra que para a tal “semente” brotar, o estudante será capaz de abrir mão da perfeição pessoal em prol da principal peça na comunicação: a sociedade.
A percepção que o jornalismo é a arte de “plantar uma semente na mente das pessoas”, fez com que esta pessoa lutasse e conseguisse, aos 22 anos, entrar no curso de comunicação social. Essa luta deve-se a certeza de que é possível a “a semente na mente das pessoas” ser positiva e melhorar a vida dos membros da comunidade.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Quem sou eu? Desde que tenho orkut tento responder essa pergunta... Já coloquei um milhão de coisas aqui, mas acabei descobrindo que o máximo que é possível colocar aqui é "qual meu trabalho" e coisas do tipo. Quem sou eu? O fato de a minha idade escrita aqui ir mudando, me leva a concluir que é impossível responder quem sou eu. Sem personalidade? Nada disso. Simplesmente, ninguém consegue responder isso, a menos que se prenda naquilo. Aliás, você pode até se limitar ao se definir, mas as surpresas, conquistas, presentes ou derrotas, decepções e frustrações fazem você perceber que a gente nunca é, de verdade, aquilo que respondemos aqui. Sempre que achei saber quem era eu, algo me provava que eu estava errado. Hoje, prefiro deixar a vida me levar, sem me apegar em "quem sou eu". Louco, né? Assim, muitos me definem. Se sou louco, não sei... Sei que chega uma hora, em nosso caminho, em que vemos uma placa de boas vindas... "Bem vindo ao mundo real". Por isso, estou escrevendo essas linhas malucas. Chega uma hora, em que você percebe que as pessoas que você mais ama (amou) são as que mais fizeram você chorar. Chega uma hora em que você percebe que a coisa que você mais ama, o rádio, por exemplo, é o que mais fez você chorar. Ah, como eu queria aprender a não amar... Não quero odiar, mas "o amor é uma dor". Isso só o tempo comprova mesmo. Sonhos, são ótimas coisas para quando se está dormindo. Realidade, é viver os presentes de Deus, valorizando as coisas simples da vida, e perceber que só as coisas simples e humildes são de Deus. Felicidade, é algo que só se conquista ao lado de Cristo. Literalmente. Pois o mundo existe para nos testar se merecemos mesmo felicidade. Repito, lá em cima. Hoje (acho que) entendo porque a juventude é uma fase legal. A gente sonha em ser rico, famoso, ter conforto e tal... Ah, se eu tivesse uma lâmpada mágica... Se antes pediria para ser dono de rádios, mansões etc, hoje tudo que eu queria é o perdão de quem eu magoei (geralmente pessoas que eu amo), ter uma família santa, humilde e feliz (a possível nesse mundo) e só. Isso parece a carta do cara do Realengo, né? Relaxa. O que me corrói é o amor, não o ódio. Sem sentido, né? Pois tô escrevendo sobre mim. Se fosse uma reportagem, eu organizaria o texto, mas não há jornalista no mundo que consiga dar sentido a um texto sobre mim. Mas o importante é viver um dia de cada vez. (Antes eu planejava. Correr o risco dos planos irem pro ralo? Ah, chega! Então vou parar de escrever agora. Tenho que trabalhar. Mesmo sabendo que tudo isso é ilusão, o dinheiro ajuda, né? Em resumo, não sei responder "quem sou eu".


sábado, 13 de março de 2010

Linha 420


Isso – diz o motorista quando entro no ônibus e pergunto se ele vai para Paraíso. Feliz e totalmente confiante no motorista, sento em uma poltrona e sigo ao máximo as regras: Não conversar, não fumar (fácil), não olhar a passageira ao lado, não ouvir música na viagem, não discutir com motorista; sob pena de ser preso para sempre. Estranhas, mas regras do jogo, ou melhor, empresa. As obedeci, pois, confiante que tudo daria certo.

E o carro “levanta vôo”! Derrepente, mesmo seguindo todas as ordens (as principais, pelo menos), o tal motorista se vira pra mim:

– Chegamos à cidade de Estranhópolis.

- Ham, mas eu queria é Paraíso!

– Sinto muito amigão, a linha era essa mesmo, só que nem sempre se passa por Paraíso...

Desci sem entender nada... Fiquei um sábado todo naquele lugar estranho olhando para os mapas, tentando descobrir como se chega a tão famosa cidade de Paraíso... Pelo mapa, a estrada era aquela mesmo, mas eu tinha que olhar para a passageira ao lado, a fim de ver que eu tinha que parar lá. Fui então à rodoviária novamente, peguei um ônibus de volta e, logo após ter dado partida, - Pash! Um funcionário da empresa me dá um tapa por olhar para “passageira” (apenas estrada, na verdade).

Peço então que o motorista pare quando for entrar em Paraíso. Ele diz “OK”. Tempos depois, chegamos... ao ponto final. Pergunto cadê Paraíso.

– Ah, ficou para trás...

Ai, ai, ai... Sem entender bulhufas, desci na cidade. Era Duvidolândia. Ai um cara me para.

– Amigo, você foi em Estranhópolis, né?

- Sim, mas como você sabe?

– Tô lembrado que quando ia para lá, você estava ao meu lado, ai desci em Paraíso e você seguiu estrada. Agora que voltava de lá, você se sentou ao meu lado denovo.

-Mas como você sabia onde tinha que descer para Paraíso?! sempre quis ir lá!

– Basta você olhar para a passageira ao lado, que você verá a placa e desce.

Mas aí resolvi ir à Lan-House, pesquisar as regras da empresa direito e os benefícios ao cliente. Meu Deus! Que maluquice! Não entendi nada! Conversei com pessoas que narravam conseqüências terríveis para quem desobedeceu as regras, mas dizem que só chegam aos destinos burlando-as. Apertei se eles tinham certeza das penalidades. Disseram que era o que “as pessoas” falavam... E agora? Eu leio que só chega a Paraíso seguindo as regras, aí vem quem diz que não segue as regras e chega lá! E quem diz é aquele passageiro que era, na minha imaginação, o exemplo número um em seguir regras!

Preciso acreditar que o destino escrito no letreiro de pelo menos alguns ônibus seja verdadeiro, mas não estou conseguindo acreditar que exista verdade em algo tão complicado. O problema em não acreditar nas regras, é que se elas estão erradas, sou tentado a ouvir música alta, conversar... quebrar as regras! O que não dá para entender é se o dono da empresa é cruel, exigindo que o passageiro olhe para o lado, mesmo sem poder, na falta de outra alternativa; ou se é algum subordinado que fez regras equivocadas. Espero que seja o funcionário quem errou, pois tenho que olhar para o lado, não posso evitar, e tenho certeza de que mereço chegar em Paraíso. As outras regras, na dúvida, vou seguir.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Pelo menos, o trenzinho ainda está apitando

Quem acompanhou a campanha eleitoral para prefeito e vereadores no ano passado em São João del-Rei, se lembra perfeitamente das promessas feitas pelos candidatos. Promessas, quase todos fazem, o problema é as pessoas acreditarem nas do tipo "já no primeiro dia do mandato vamos asfaltar sua rua". Pior ainda, é votar em quem deu um saco de cimento, ou algo congênere ao eleitor. Conforme pessoas de bom-senso previam, as promessas não estão sendo cumpridas, revoltando a população. O que se tem visto não é o cumprimento dos compromissos com eleitores, mas sim, com cabos-eleitorais, através de empregos comissionados nos órgãos públicos, enquanto servidores concursados lutam para elevar o valor do salário base, que hoje é ilegalmente inferior ao salário mínimo.

Agora, os protestos não resolverão o problema, pois, analisando o histórico daqueles que administram atualmente a cidade, o compromisso com a seriedade não é tradição. E não só falta seriedade, mas competência, sensibilidade e honestidade. A maioria da população caiu direitinho no "conto de fadas em caminhos ladrilhados e enfeitados com pedrinhas de brilhante". É hora de parar de sonhar e ter mais inteligência na escolha dos representantes, já que não é fácil administrar uma cidade com quase cem mil habitantes, e para tal cargo, deve ser não uma pessoa que se comunique bem (apesar dos "erro" de "portuguêis"), e sim alguém que saiba lidar com finanças, tenha capacidade de liderança honesta e sem recompensas, que respeite o poder legislativo e, além de governar para o povo através de favores, governe para a cidade, para a rua em que o povo mora. Estamos com sete dos quarenta e oito meses da gestão. Será se os presentes, sacos de cimento e alimentos distribuídos na época já acabaram, ou durarão até o fnal dos quatro anos?