sexta-feira, 18 de maio de 2012


Contradições internas e resquícios da ditadura: uma análise sobre o Partido Progressista (PP)

Bruno Ribeiro e Marcelo Alves

O Partido Progressista (PP) é um partido de centro-direita fundado em 1995. As suas raízes remetem ao Partido Democrático Social (PDS), herdeiro da Aliança Renovadora Nacional (Arena), legenda que apoiou o regime ditatorial brasileiro. A sua postura ideológica transita entre o neoliberalismo e o centro-esquerdismo. Se durante a ditadura militar e nos anos 80, a legenda era uma das mais fortes no cenário político, a situação é bem diferente no contexto eleitoral de 2010. O PP foi um dos partidos que saiu mais enfraquecido da disputa. Manteve uma postura de apoio informal à candidata Dilma Rousseff (PT), não elegeu nenhum governador e na Câmara terá apenas 41 deputados federais, mantendo a mesma bancada de 2006.
Quanto ao posicionamento político e ideológico do PP, há posições contraditórias no partido. Muitos de seus integrantes mais antigos consideram a ditadura um período positivo do Brasil. No entanto, nas eleições de 2010, a legenda aliou-se à frente de centro-esquerda liderada pelo PT. Nos estados, adotou posturas contraditórias. Em Minas Gerais, por exemplo, indicou o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Alberto Pinto Coelho, para a vaga de candidato a vice-governador de Antônio Anastasia (PSDB).
Em entrevista ao Valor Econômico, o presidente nacional do PP, Francisco Dornelles (RJ), declarou que não foi formada uma coligação formal, na medida em que nem todos os diretórios estaduais da legenda concordam com a decisão nacional. Isso ficou evidente no posicionamento contraditório do partido em algumas unidades da federação. Em cinco estados, Rio Grande do Sul, Minas, Paraná, Rondônia e Alagoas, o PP apoiou o candidato do PSDB à Presidência, José Serra (PSDB). Outros dois diretórios, São Paulo e Santa Catarina, tiveram uma postura neutra.
No segundo turno da disputa presidencial, as contradições continuaram. O diretório nacional do PP anunciou apoio irrestrito à candidatura de Dilma. Já o PP-MG foi contra a decisão e declarou estar do lado de José Serra na corrida ao Palácio do Planalto. O presidente estadual do PP de Minas Gerais, deputado Alberto Pinto Coelho, explicou que os progressistas mineiros tomaram essa decisão para “manter a aliança vitoriosa no Estado, ao lado do governador reeleito Antonio Anastasia (PSDB) e dos senadores eleitos Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS)”. Alberto Pinto Coelho foi eleito vice-governador na chapa de Anastasia.
Antes de Índio da Costa (DEM) ser escolhido vice na chapa presidencial do PSDB, o presidente nacional do PP chegou a ser cogitado para a vaga. Mesmo assim, Dornelles alegou que o PP encontrou objetivos comuns ao compor a coligação petista: desenvolvimento econômico, estabilidade monetária e justiça social. Além disso, durante o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, os progressistas colaboraram com o governo, sendo que o PP participa do Executivo Federal comandando o Ministério das Cidades, função exercida por Márcio Fortes. Ao falar de Dilma, Dornelles tece elogios a sua posição estratégica na condução dos principais programas do governo Lula.

Eleições 2010
Governador
Em Minas, que é o segundo maior colégio eleitoral brasileiro, o PP garantiu a vaga de candidato a vice-governador na chapa de Antônio Anastasia. A escolha de Alberto Pinto Coelho para vaga de vice do governador Anastasia demonstra a força que o PP tem em Minas, já que a vaga era pleiteada também pelos Democratas (DEM). Segundo entrevista do governador eleito ao jornal Estado de Minas em junho, pesou a favor de Alberto o apoio que o PP tem dos parlamentares mineiros.
Analisando em âmbito nacional, em geral, pode-se dizer que o partido saiu enfraquecido por não ter conseguido eleger nenhum governador. No segundo turno, teve a chance de eleger Neudo Campos, que acabou derrotado por poucos votos em Roraima numa disputa muita acirrada com Anchieta Júnior (PSDB). O partido amargou duas derrotas importantes. Em São Paulo, tradicional estado do PP e terra de Paulo Maluf, o candidato Celso Russomano ficou em terceiro lugar. Em Santa Catarina, a candidata Ângela Amim, esposa de Espiridião Amim, perdeu para o Democrata Raimundo Colombo. Apesar das derrotas, o PP esteve aliado a coligações que saíram vitoriosas em 11 estados - Amazonas, Acre, Mato Grosso, Maranhão, Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Alagoas e Minas Gerais.

Senadores
Em 2010, o PP conseguiu eleger quatro senadores da República: Ivo Cassol em Rondônia; Ciro Nogueira no Piauí; Benedito de Lira em Alagoas; Ana Amélia Lemos no Rio Grande do Sul, reforçando ainda mais o poder do partido no estado. Além disso, o PP participou de coligações vitoriosas em vários estados, inclusive em Minas, onde esteve na chapa que elegeu Aécio e Itamar. Na eleição de 2006, o PP elegeu Francisco Dornelles e ele continua no poder até 2014. Portanto, o partido cresceu no Senado com as últimas eleições, pois saltou de apenas um para cinco senadores.

Deputados federais e estaduais
O PP conseguiu eleger 41 deputados federais em todo o Brasil, sendo que cinco são de Minas Gerais: Toninho Pinheiro (179.649 votos), Dimas Fabiano (146.061), Márcio Reinaldo (124.551), Luiz Fernando (105.422) e Renzo Braz (102.413). É importante salientar que, em Minas, o PP participou de coligação com PR, PPS, DEM e PSDB, que elegeu um total de 25 deputados federais, o que fortalece o PP.
            Nos estados em que o PP obteve melhor votação foi no Rio Grande do Sul, em que elegeu seis deputados (Luís Carlos Heinze, Covatti, José Otávio Germano, Renato Molling, Afonso Hamm e Jerônimo Goergen), na Bahia, com quatro deputados eleitos (Mário Negromonte, João Leão, Luiz Argolo e Roberto Brito) e três deputados na Paraíba (Aguinaldo Ribeiro, Eduardo da Fonte e Roberto Teixeira), no Paraná (Cida Borghetti, Nelson Meuer e Dirceu Sperafico) e no Rio de Janeiro (Jair Bolsonaro, Júlio Lopes e Simão Sessim).
            Nos demais estados, o PP teve uma votação pouco expressiva: São Paulo (Missionário José Olimpio e Aline Correia), Goiás (Roberto Balestra e Odacir Zonta), Amazonas (Rebecca Garcia e Carlos Souza) e Distrito Federal (Izalci e Roberto Fonseca), em que elegeu dois deputados. No Acre (Gladson Cameli), em Alagoas (Arthur Lira), no Ceará (Padre Zé), no Maranhão (Waldir Maranhã), no Mato Grosso (Eliene Lima), no Pará (Josué Bengston), no Piauí (Iracema Portela), em Rondônia (Carlos Margno) e em Tocantis (Lázaro Botelho), o PP garantiu apenas uma vaga.
Analisando o cenário, pode-se perceber que o partido tem bastante força no Rio Grande do Sul, onde elegeu seis parlamentares; em Minas, com cinco vitoriosos e na Bahia, em que quatro pepistas se elegeram deputados. Deve preocupar a cúpula da legenda a queda em São Paulo, estado que elegeu, em 2010, apenas dois congressistas. Em 2006, o número foi de seis eleitos no estado.
Para a Assembleia Legislativa de Minas, o partido conseguiu eleger apenas Gil Pereira, que obteve 95.450 votos. No entanto, o partido se manteve forte na assembléia por ter se coligado com o DEM e com o PSDB, coligação direitista que elegeu um total de 18 parlamentares em Minas. O PP só teve boa votação no Rio Grande do Sul (sete deputados estaduais eleitos), Santa Catarina e Bahia (seis em cada estado), e Mato Grosso (cinco deputados para a Assembleia). Nos outros estados, o PP elegeu um número reduzido de deputados, como no Rio de Janeiro e São Paulo: três deputados (Amazonas), dois deputados (Rio de Janeiro, Acre, Amapá, Maranhão), um deputado (São Paulo, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Paraná, Piauí, Rondônia, Roraima, Sergipe, Tocantins) e nenhum deputado (Alagoas, Ceará, Pará, Pernambuco e Rio Grande do Norte).

Votação no Campo das Vertentes
A região tem uma situação paradoxal para o PP, já que o Senador pelo Rio de Janeiro e presidente nacional da sigla, Francisco Dornelles, tem parentes em São João del-Rei. No entanto, a cidade não tem um diretório do partido. Dornelles é sobrinho de Tancredo Neves e mantém forte amizade com o senador eleito Aécio Neves. O último presidente do partido na cidade foi o empresário Fernando Magno. Procurado pela reportagem, ele não quis contar como foi sua curta presidência de dois meses e como o diretório acabou.
Sobre a situação do partido em São João del-Rei, o prefeito de Santa Cruz de Minas, José Antônio dos Santos, o Padre, opina que o insucesso do PP na cidade vizinha deve-se a um “racha” entre Dimas Fabiano e Luiz Fernando, que disputavam a liderança na cidade. Segundo o prefeito, isso dividiu o partido e enfraqueceu a legenda. Santos entrou no partido há seis anos, após divergências políticas com seu antigo partido, o PFL, atual Democratas.
São João del-Rei é marcada pelos governos atribulados, que envolvem vários processos judiciais, de Nivaldo José de Andrade (PMDB). O político apoiou o PSDB nas eleições de 2010, mesmo contra a resolução nacional de seu partido, que compõe a aliança de Dilma Rousseff. Nivaldo, que já foi do PP, governou São João por três vezes, não consecutivas, foi prefeito de Tiradentes e deputado estadual.
Na cidade, muitos integrantes do PP ainda se dizem de extrema-direita. O empresário filiado ao PP, José Rivetti Pereira, enfatizou que sempre se identificou com a ideologia do partido, desde suas origens na Arena. Ao analisar a política contemporânea brasileira, ele adota tom crítico e afirma que “o Brasil precisa de uma Revolução como a de 1964. Hoje está tudo uma bagunça”.
Rivetti, que é nostálgico, contou que pensa em sair do PP para se unir a antigos companheiros e refundar o PDS em São João del-Rei. Analisando governos, Rivetti considera que Lula teve um bom desempenho no Planalto. O pepista ainda comenta que, após a saída de Nivaldo do PP, o atual prefeito não realizou bons mandatos.
O PP é a agremiação de alguns vereadores de municípios da região. As Câmaras Municipais das cidades de Bom Sucesso e Santa Cruz de Minas, tem, cada uma, um vereador do PP. Em Passa Tempo, Piedade do Rio Grande, Ritápolis e Tiradentes, o número de Pepistas sobe para dois, em cada Câmara.

História do partido
O PP é um partido de contradições, rachas e brigas internas. Esse cenário vem da criação do PSD, em 31 de janeiro de 1980, após o fim do sistema partidário. O PDS tinha dentre seus filiados José Sarney e Fernando Collor, dois futuros Presidentes da República, sendo que o senador maranhense foi confirmado como presidente do partido em 28 de fevereiro de 1980, cargo que ocupou por quatro anos. Nas eleições indiretas que culminaram com a escolha de Tancredo Neves e José Sarney, o partido se dividiu entre o apoio às candidaturas de Paulo Maluf e Mário Andreazza. Escolhido Maluf, uma parcela do partido se desligou indo formar o PFL.
A história da agremiação teve fim em 4 de abril de 1993 quando este se fundiu ao PDC para criar o Partido Progressista Reformador (PPR), presidido pelo senador catarinense Espiridião Amin. Dois anos mais, a legenda tarde fundiu-se com o Partido Popular, criando o PPB e, finalmente, em 04 de abril de 2003, por iniciativa de convenção nacional, alterou o seu nome para PP (Partido Progressista).
A ideologia do PP se aproxima de uma postura de centro-direita. O partido defende a liberdade das regras de mercado e a não intervenção estatal, ao mesmo tempo em que advoga por uma ação econômica que leve em conta valores sociais, como a distribuição de renda, por meio de geração de empregos e do funcionamento da economia social de mercado. Paradoxalmente, o PP hoje é um dos aliados do PT de Dilma que defende políticas de centro-esquerda.


Caminho das Índias
Falta de respeito às leis de trânsito em São João del-Rei irrita população

A novela Caminho das Índias, da TV Globo, mostrou como o trânsito no país oriental é caótico. Se as gravações tivessem sido feitas na cidade mineira de São João del-Rei, cenas muito parecidas também seriam vistas. Apesar de existirem leis de trânsito aqui no Brasil, um somatório de falta de educação dos usuários, com problemas estruturais da cidade faz com que motoristas, pedestres, ciclistas e motociclistas estejam em constante risco. Os piores pontos são a Avenida Leite de Castro e o centro da cidade. Na opinião do motorista Adilson Rodrigues “nem pedestres, nem ciclistas e nem motoristas se respeitam”. Ele também considera que ciclistas têm boa parcela de culpa na situação. “Chega-se a perder a paciência com ciclistas que invadem as áreas destinadas a automóveis”, afirma Rodrigues. O vendedor Nilton Barros, morador de Divinópolis, em visita à São João del-Rei, percebe que "a educação no trânsito está muito aquém de outras cidades. Muitos motoristas não tem o hábito de ligar a seta ou esperar um pouco para a outra pessoa passar" Outro problema é que veículos, principalmente caminhões, chegam a ocupar duas faixas das vias, travando o tráfego. Para ele os problemas são as ruas estreitas, o grande número de bicicletas e o desconhecimento da lei.
O ciclista Hebert Moreira, de 15 anos, morador da Colônia do Marçal, admite que o trânsito está "uma bagunça" por culpa dos próprios usuários, e que muitos ciclistas têm o mau hábito de entrar na frente dos carros, mas ele se defende dizendo "só causam transtornos porque não existem ciclovias na cidade". O pedestre Marcelo Mourão, que critica a presença de carroças nas vias públicas, que, segundo ele, suja as ruas, e também de carretas na área urbana. “É fato que a cidade é histórica, o que agrava ainda mais a situação, mas se os usuários fossem educados, já seria um grande passo”, afirma Marcelo. Ele também criticou a inexistência de ciclovias, e disse que São João del-Rei é uma cidade onde os motoristas tem excessiva pressa, não esperando a travessia de pedestres, e que os motoristas de coletivos, muitas vezes, desrespeitam as leis de trânsito, fechando carros e deixando de sinalizar suas manobras.

Veículos estacionados em locais proibidos
Pare. Espere abrir o sinal. Não estacione. Não pare. Ordens simples como essas são simplesmente ignoradas na cidade. Realmente existem pontos da cidade em que faltam essas sinalizações, mas o pior é que onde existe, existem também pessoas que não as respeitam. O cruzamento de acesso ao Bairro Caieiras, por exemplo, que recentemente recebeu a instalação de semáforos, é palco de constantes desrespeitos, tendo vários motoristas e pedestres atravessando no momento em que o sinal está fechado. A Guarda de Trânsito Mirim, Jéssica Guimarães, afirma que, durante a abordagem a motoristas, chegou a ser desrespeitada por alguns que se recusavam a pagar a taxa de estacionamento. Otimista, ela afirma “que dá pra mudar” através de campanhas de conscientização.
O moto-taxista Antônio Vanderlei, há 15 anos na profissão, afirma que todos têm que colaborar, mas admite que existem colegas sobre duas rodas que correm muito, além de realizarem ultrapassagens pela direita. Ele concorda que a falta de educação no trânsito ainda é grande, e que campanhas de conscientização para motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres são urgentemente necessárias. Antônio também reclama da falta de sinalização eficiente no cruzamento da Avenida Tiradentes com a Avenida Ministro Gabriel Passos, e da falta do uso de seta no trânsito. “Se inventaram a seta, é para se usar”, ironiza. Contudo, ele comenta um fato positivo, que é a diminuição do preconceito contra os motociclistas nos últimos tempos.
Bom trânsito é lei
“O trânsito de São João del-Rei carece de muitas intervenções”, opina o Comandante do Batalhão de Polícia Militar da cidade, Tenente Coronel Milton Costa. Ele afirma que o índice de atropelamentos é muito alto, e atribui isso ao fato de as calçadas serem estreitas, a falta de faixas de pedestres e o desrespeito às existentes. “Criou-se uma cultura de desrespeito à lei na cidade”, comenta.
Ele afirma que, de acordo com a Constituição Federal, o dever da polícia é apenas de verificar a condição regular do condutor e do veículo através de uma blitz. O combate aos desrespeitos às leis de trânsito ficaria a cargo da Guarda Municipal. Como ela não existe na cidade, a PM cumpre esse papel, porém dentro das possibilidades dela. “Infelizmente, eu não posso deixar de combater tráfico de drogas e furtos para cuidar de trânsito. É obrigação da prefeitura”, explica.
A PM toma medidas como a promoção de palestras em escolas, colocação de faixas educativas nas vias públicas e orientação dos motoristas. Para ele, é urgente a revisão do sistema de tráfego e da sinalização, realização de maciças campanhas educativas, principalmente com jovens e, finalmente a fiscalização. Isso, segundo ele, após a municipalização do trânsito, que é imprescindível para a amenização dos problemas. Ele ressalta a importância do transporte coletivo e da priorização do pedestre frente aos carros, e lembra que bicicletas são veículos como qualquer outro e devem obedecer as leis do Código de Trânsito Brasileiro.
O setor de transportes da prefeitura de São João del-Rei foi procurado para comentar as suas obrigações perante o trânsito, no entanto o chefe do setor, Valdo Alves, não foi encontrado e nem respondeu os e-mails a ele enviados. A única informação que foi passada pela atendente do setor, Isabela Carazza, é que “ainda não existem previsões para a criação da guarda municipal”.
Reportagem: Bruno Ribeiro

A história das rádios saojoanenses

CAPUTO; Bruno Ribeiro
Orientador: Profa. Dra. Filomena Bonfim
UFSJ – Curso de Comunicação Social/Habilitação Jornalismo



1.         Resumo

São João del-Rei é uma cidade histórica mineira com uma imprensa forte e tradicional. A partir da metade do século XX, emissoras de rádio que se instalaram na cidade passaram a se constituir instrumentos de divulgação de informações relevantes à população, à propagação da cultura e do entretenimento.
Para que essa memória não se perca, entende-se ser necessário o estudo da radiodifusão local e o registro dos dados apurados. O presente trabalho acadêmico visa investigar, resgatar, registrar e preservar a memória e as características das rádios da cidade, à luz de teóricos que fornecem embasamento para as investigações. Assim sendo, do referencial teórico desse trabalho constam os seguintes conceitos: memória, radiodifusão, comunicação regional, políticas de comunicação e meio de comunicação.
Torna-se necessário, pois, que se registre as histórias do radiojornalismo são-joanense, como forma de contribuir com a memória do jornalismo regional. A trajetória e evolução dessas emissoras e sua repercussão junto à população local parece decisiva para que essa pesquisa possa contribuir para o resgate da história desses veículos na vida da sociedade sãojoanense.

2.      Palavras-Chave
Memória – Rádio – Comunicação – Políticas de Comunicação


1.      Abstract
São João del-Rei is an historical city in Minas Gerais – Brazil. There is a strong and traditional press. From the mid-twentieth century, radio stations that settled in this town began to constitute a tool for dissemination of relevant information to population, to propagation of local culture and entertainment.
For this memory does not lose, understand to be necessary the study of local broadcasting and the register of established data. This academic work aims to investigate, rescue, register and preserve the memory and the features of radio stations of the city, the light of theoretical that provide basement for the investigations. In the theoretical set the following concepts: memory, broadcasting, regional communication, communication policies and media.
So, it is necessary to register the histories of broadcasting in São João del-Rei, as a contribution with a memory of regional journalism. The trajectory and evolution of these stations and their repercussion together local population appear to be decisive for that this search can contribute for the rescue of the history of these medias in the life of society of São João del-Rei

2.      Keywords

Memory – Radio – Communication – Communication policies



3.      Introdução
A comunicação tem uma grande importância na interação entre as pessoas. o ato de comunicar é a materialização do pensamento/sentimento em signos conhecidos pelas partes envolvidas. Estes símbolos são então transmitidos e reinterpretados pelo receptor. Portanto, este trabalho de pesquisa torna-se importante para o campo da Comunicação Social por analisar historicamente como é/era a interação entre as emissoras radiofônicas pesquisadas e o público e como esse interpretava o que era apresentado pelo veículo.
Como é comum em cidades do interior, o jornalismo local não é registrado, o que impede que profissionais futuros possam acompanhar como é a evolução da comunicação regional, como era o trabalho e, por conseguinte, em que os profissionais de tempos anteriores acertaram ou erraram. Torna-se necessário, pois, que se registre a memória do rádiojornalismo são-joanense, como forma de contribuir com a memória do jornalismo regional.
Um detalhe que chama a atenção é o fato de que praticamente todas as emissoras são ou foram ligadas a grupos políticos. Analisar a história destas rádios ajuda a entender qual a influência política em seus noticiários, e desses noticiários na população.
O rádiojornalismo nacional não está apenas nos grandes centros. Por ser nacional, ele passa também pelo interior. Sem dúvidas, uma pesquisa sobre o radiojornalismo de São João del-Rei contribui imensamente para se entender as relações e influências entre o interior e a capital, o que gera informações relevantes até para pesquisadores que estudem o radiojornalismo em capitais.
A cidade também é um dos locais onde a imprensa foi pioneira, tendo existido na cidade inúmeros jornais até de repercussão nacional. Mantendo a tradição jornalística já existente na cidade, foram instaladas, desde a década de 1940, várias emissoras de rádio.
As rádios São João del-Rei (970 kHz AM); Emboabas (1480 kHz AM); Emboabas (96,9 MHz FM); Vertentes (97,7 MHz FM); Ecológica e Sol (98,7 MHz FM) ganharam importância na cidade e na região, transmitiram ao vivo eventos históricos, como jogos esportivos, festivais, shows, informativos, dentre outros. O conhecimento da história da radiodifusão são-joanense permite o entendimento de parte da história da cidade e, consequentemente, se conheça um exemplar do rádio no interior do país.
Para que essa memória não se perca, é necessário o estudo da radiodifusão local e o registro dos dados apurados. Objetiva-se, pois, através desse trabalho acadêmico, o resgate e a preservação da memória das emissoras radiofônicas de São João del-Rei, à luz de teóricos que fornecem embasamento para as investigações.

4. Discussão teórica
4.1. História e memória
É possível que as estações de rádio não tenham alguns seus registros históricos preservados, como fitas de áudio, fotos e documentos, o que aumenta a importância do presente trabalho. Nesse caso, será possível um resgate da memória e não da história, pois, prioritariamente os dados empíricos serão colhidos também através de entrevistas e testemunhos e, como sugere Ecléa Bosi (1993,p.277-83)., por mais ricos que sejam os depoimentos, não podem tomar o lugar de uma teoria totalizante que explique um processo social. A memória é um trabalho sobre o tempo, mas sobre o tempo vivido, conotado pela cultura e pelo indivíduo. Ela abarca os tempos perdidos na vertigem mercantil.
Para Bosi, a apreensão plena do tempo passado é impossível, como o é a apreensão de toda a alteridade. Para fins acadêmicos, a autora sugere que se faça, ao informante para a pesquisa, perguntas exploratórias e que permita ao recordador liberdade de encadear e compor, à sua vontade, os momentos do passado. A memória é não passividade, mas forma organizadora, e deve-se respeitar os caminhos que os recordadores vão abrindo na sua evocação, pois são o mapa efetivo e intelectual da sua experiência e da experiência do seu grupo (BOSI; 1993, p.277-83).

4.2. Aspectos do campo da comunicação
Luiz Martino (2006, p.41-46) considera que a comunicação não chega a constituir um saber, pois se apóia claramente em outras disciplinas. Ou melhor, constituía apenas um ponto de convergência, como objeto empírico estudado por outras disciplinas. O autor argumenta sobre a dificuldade em se delimitar e descrever o campo comunicacional, tido por alguns estudiosos. Ele apresenta quatro formas de se abordar o campo comunicacional: A redução, que seria similar à semiótica e reduziria a comunicação a outra disciplina. Essa abordagem está em desuso, pois é uma representação do campo comunicacional baseada em um recorte teórico que não é o de nossa área, ou que operam uma drástica redução a apenas uma de suas correntes.
A segunda corrente é a História, uma das abordagens mais empregadas para apresentar o campo comunicacional, seja na forma de um simples guia para a exposição das idéias, seja encadeando as datas de surgimento de teorias ou de instituições, avanços tecnológicos ou acontecimentos sociais relevantes. São muitas as maneiras que a história pode contribuir para elucidar a emergência do campo. A elucidação da emergência do campo comunicacional e do radiojornalismo regional são, pois, mais um fator que reforça a importância de se estudar a memória do rádio em São João del-Rei.
A história pode ajudar na definição do objeto comunicacional, visto que é a singularização histórica do processo comunicacional, baseada na emergência de um tipo de sociedade (industrial), que libera um tipo de fenômeno comunicacional inédito: a integração da comunicação midiática à nova organização social e a emergência da atualidade como produto da atividade midiática. “Não se pode contar a história daquilo que se desconhece, e a introdução sub-reptícia de noções sobre o que é, ou o que seria a comunicação, é justamente o que o pensamento epistemológico não pode admitir” (MARTINO; Luiz. 2006, p.46-50).
A terceira corrente é Conceito, teoria, pesquisa. Outra maneira de se apresentar o campo comunicacional é pela elaboração de um levantamento das teorias, ou pela discussão de alguns problemas-chave ou pelas pesquisas realizadas. Martino coloca que os estudos da comunicação estão longe de ter um corpus teórico mínimo, reconhecido como constitutivos do saber comunicacional. A dispersão teórica é realmente notável e marcante.
Para se ter uma ideia da extensão do campo comunicacional, Martino apresenta o trabalho de F. Dance que, sentindo a necessidade de organizar o conjunto de acepções, classificou-as em 15 categorias fundamentais ou subáreas do campo comunicacional. O que, sem dúvida, apresenta um avanço considerável, mas, assim mesmo são 15 dimensões continentais, a serem exploradas, descritas, pensadas, desdobradas; são 15 direções na rosa-dos-ventos do pensamento comunicacional, cada uma delas apontando para problemáticas específicas, constituindo diferentes eixos de investigação e mobilizando saberes fortemente variados.
Posteriormente, baseado nesse trabalho, Stephen Littlejohn (1982), discerniu nove diferentes subcampos para as teorias da comunicação. São elas: teoria dos sistemas e cibernética; interacionismo simbólico; teoria dos signos (codificação verbal e não-verbal); significado e pensamento; teoria da informação; teoria da persuasão e mudança; teorias de comunicação interpessoal; teorias de comunicação em pequenos grupos; teorias da organização humana; teorias de comunicação de massa.
Sobre a corrente “Conceito, teoria, pesquisa”, o autor conclui que falta a explicitação dos critérios que permitem selecionar determinadas teorias e não outras, o que permitiria a discussão crítica e não apenas um rol de teorias ou fenômenos supostamente comunicacionais.
A última corrente apresentada, Sociologia da ciência ou análise institucional, define o campo comunicacional não por sua produção intelectual, mas, de forma mais objetiva, menos polêmica, que é a análise de suas instituições, como revistas, jornais, associações, mas, principalmente, suas instituições de formação, como as faculdades, com seus cursos de graduação e de pós-graduação. Os elementos em interação não são mais teorias, pesquisas, mas agentes sociais. O que significa dizer que saímos de um plano epistemológico para um plano de análise social (MARTINO; Luiz. 2006, p.46-50).

4.3. Políticas de comunicação e a história da radiodifusão no Brasil
A história do rádio no Brasil se inicia no início do século XX (HAUSSEN; Doris. 2004,p. 2-3), quando o padre Roberto Landell de Moura realizava experiências similares às que vinham sendo desenvolvidas por Guglielmo Marconi na Europa. Experiências que viriam a dar passagem às iniciativas inovadoras de Edgar Roquette Pinto, Henrique Morize e Elba Dias que permitiriam, em 1922, a primeira transmissão radiofônica brasileira. Naquele ano, no dia 7 de setembro, em comemoração ao centenário da independência, seria transmitido o discurso do presidente Epitácio Pessoa, do local da Exposição Internacional que se realizava no Rio de Janeiro. No ano seguinte, em 1923, seria criada a primeira emissora do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro que, em 1936, se transformaria na rádio do MEC, por doação do próprio Roquette Pinto. Sem esquecer que, em 1919, no Recife, a Rádio Clube de Pernambuco ensaiava as suas primeiras transmissões.
A partir de então, o desenvolvimento tecnológico possibilitaria o surgimento e a disseminação de inúmeras emissoras pelo país. Neste sentido, um marco seria a criação da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, em 1936, que se tornaria um modelo e marcaria presença em todo o território nacional através de sua programação, principalmente após 1940, quando foi encampada pelo governo Getúlio Vargas, junto com o espólio da antiga Companhia de Estrada de Ferro São Paulo - Rio Grande e as empresas a ela pertencentes. Entre estas estavam a Rádio Nacional, o jornal A Noite e a Rio Editora.  Desde então, a emissora passaria a contar com o apoio financeiro do governo e da publicidade comercial.
Este fato faria com que pudesse dispor da tecnologia mais avançada da época, dos melhores artistas, radialistas e técnicos, tornando-se um paradigma por vários anos. Ainda em relação à tecnologia, pode-se dizer que a disseminação do transistor, na década de 60, seria outro grande momento da radiofonia, uma vez que permitiria a criação do rádio portátil, e, como consequência, a libertação do "espaço fixo" do veículo, em geral na sala de jantar, papel ocupado, depois, pela televisão. Por outro lado, a reportagem de rua passaria a fazer parte do cotidiano do rádio, a partir da experiência da rádio Continental do Rio de Janeiro. O próximo passo seria a segmentação da programação das emissoras, com a introdução da FM - Frequência Modulada no país, nos anos 70, que permitiria a ampliação do número de canais, até então de Amplitude Modulada e Ondas Curtas.
A partir das décadas de 80 e 90, a rapidez do desenvolvimento tecnológico levaria à possibilidade da transmissão via satélite e internet, e à digitalização do rádio, oportunizando a formação de redes e marcando o atual estágio. Uma das consequências foi a alteração na transmissão das principais emissoras internacionais em ondas curtas que divulgavam a sua programação para todo o mundo por este meio e que passam a optar por estas novas modalidades. Por outro lado, a concorrência da TV a cabo e da internet levam o rádio a especializar-se na prestação de serviços. (HAUSSEN; Doris. 2004,p. 2-3) Os primeiros programas jornalísticos do rádio brasileiro foram o Repórter Esso, na Rádio Nacional, e o Grande Jornal Falado, na rádio Tupi. Aliás, esse último nome também foi usado por Geraldinho, como o primeiro nome do atual Jornal das Dez na Rádio São João, que é um dos objetos do presente estudo.
Murilo César Ramos (2005,p.248) argumenta que o direto à comunicação constitui um prolongamento lógico do progresso constante em direção à liberdade e à democracia, mas o rádio foi e é, muitas vezes, usado com instrumento político. À nível nacional, tivemos o histórico caso em que Getúlio Vargas se aproveitou da Nacional AM e da Voz do Brasil para seus discursos populistas. Ainda hoje, é enorme o número de emissoras radiofônicas nas mãos de políticos. Del Bianco (2001:38) estima que do total das 3083 emissoras brasileiras, 45% pertenciam a políticos, 25% a seitas evangélicas, 10% à igreja católica e apenas 20% são emissoras comerciais independentes.
Em São João del-Rei, temos um cenário parecido, já que das seis emissoras na cidade, quatro tem ou já tiveram políticos como seus acionistas. Gisela Ortriwano lembra que são as emissoras comerciais as que mais investem na programação e na qualidade dos profissionais. Bem ou mal, é necessário que tenham estratégias de programação e estruturas mínimas de operação (1987).Isso acontece, possivelmente devido a forma de concessão dos canais. Antes de 1988 era o presidente da república que distribuía os canais e, após essa data, o poder passou ao poder legislativo.

4.4. Rádio e Radiojornalismo
Gisela Ortriwano, (1985,p.78-79) afirma que entre os meios de comunicação de massa, o rádio é o mais popular e o de maior alcance público, não só no Brasil como em todo o mundo, constituindo-se, muitas vezes, no único meio a levar a informação para populações de vastas regiões que não tem acesso a outros meios, seja por motivos geográficos, econômicos ou culturais. Este status foi alcançado por vários fatores, dentre eles o fato de o homem ter a capacidade de captar e reter a mensagem falada e sonora simultaneamente com a execução de outra atividade que não a especificamente receptiva. A linguagem oral do rádio faz com que a mensagem seja captada apenas ouvindo, não havendo necessidade de a pessoa ser alfabetizada.
O rádio é o veículo de maior penetração e abrangência, chegando até nos pontos mais remotos. Sua facilidade técnica permite a existência de emissoras locais, que falam uma linguagem mais regional e próxima do ouvinte. É também um veículo de fácil mobilidade, tanto na recepção, como na transmissão, o que faz com que uma notícia possa ser divulgada imediatamente, antes de ser em veículos como impressos e TV, e com que o ouvinte possa levar o seu radinho para vários lugares onde desejar ouvi-lo. Outra vantagem é que o receptor de rádio é barato e acessível a grande maioria da população.
Por não ter imagens, a fala e os efeitos sonoros no rádio despertam a emoção e a imaginação do ouvinte, ou seja, é um veículo envolvente, que faz o público participar da criação de um diálogo mental com o emissor. Contudo, o rádio é um veículo que perde, assim como a televisão, para mídias impressas por ser instantâneo, ou seja, se o ouvinte não estiver ouvindo o rádio no momento da notícia ou não entendê-la, não tem mais a oportunidade de voltar atrás, como se faz em impressos.
Mesmo assim, a informação a ser difundida nos meios eletrônicos é a mesma a ser pelos impressos. No rádio, a informação vai apresentar características próprias, sem, contudo perder sua identificação com o conteúdo informado. A diferenciação deve ser entendida unicamente em função do meio específico e da técnica mais adequada a ele e não como se existisse uma parcela específica de informação para cada meio. O que pode ocorrer é a aparição eventual de acontecimentos que melhor se adaptam para serem transmitidos por um ou por outro meio.
A notícia no rádio tem estrutura semelhante a outras mensagens radiofônicas: embora a informação tenha conteúdo e natureza diferentes das demais, está sujeita à linguagem do meio, devendo adequar-se a suas características. E algumas das características do rádio permitem que seja especialmente apto para a transmissão da informação, destacando-se, entre elas, o imediatismo e a mobilidade. Ainda hoje, a grande maioria dos acontecimentos importantes chega primeira pelo rádio, seja direta ou indiretamente: quem avisou, ficou sabendo pelo rádio (ORTRIWANO; 1985,p. 78-79).
Para Doris Haussen (2004, p.7-8), o rádio brasileiro tem sido "o companheiro de todas as horas", não só no âmbito individual mas, principalmente, no coletivo, e que deverá continuar desempenhando este papel por um bom tempo ainda, seja qual for o seu suporte tecnológico. O rádio participou de grandes momentos brasileiros, como a cobertura da eleição e morte de Tancredo Neves. Também é um importante difusor de cultura, com seus programas de auditório, de humor, radionovelas, jornadas esportivas e reportagens. O rádio divulgou eventos e promoveu nomes de jornalistas, radialistas, artistas, músicos, esportistas.Além da participação na cultura, na política e na economia do país, é preciso ressaltar, ainda, o seu papel integrador. No início, através, principalmente, da Rádio Nacional, mas, também, das emissoras locais que replicavam os acontecimentos de interesse da nação, por meio dos seus microfones.
Na atualidade, as diversas possibilidades de transmissão das suas mensagens, oportunizadas pelo avanço tecnológico, permitem maior visibilidade do país e dos acontecimentos internacionais, mas a característica principal do veículo continua sendo a da proximidade com a comunidade local. Se a televisão aberta tomou para si o papel que a Rádio Nacional desempenhava, se a globalização e a tecnologia trazem cada vez mais as informações mundiais, cabe justamente ao rádio, devido às suas características inerentes, promover as informações locais. Isto sem falar nas rádios comunitárias que se proliferam em grande número pelo país. . (HAUSSEN; 2004,p. 7-8).

5.  Dados Empíricos

5.1 Um breve histórico de São João del-Rei
São João del-Rei é um município brasileiro do estado de Minas Gerais localizado na Serra da Mantiqueira. Cidade pólo do Campo das Vertentes. O Arraial Novo do Rio das Mortes, que deu origem à cidade, foi fundado entre 1704 e 1705. Porém, a região já era ocupada desde pelo menos 1701, quando Tomé Portes del-Rei se estabeleceu na região do Porto Real da Passagem (hoje nas proximidades dos bairros de Matosinhos em São João del-Rei e Porto Real em Santa Cruz de Minas).
Entre 1707 e 1709, o Arraial se tornou um dos palcos da Guerra dos Emboabas, um conflito armado que também alcançou vastas regiões de Minas Gerais: principalmente as do Rio das Velhas (Sabará), Rio das Mortes (São João del-Rei) e Vila Rica (Ouro Preto). Nas proximidades de São João del-Rei, durante a guerra, pode ter ocorrido um episódio obscuro conhecido como Capão da Traição.
Em 8 de dezembro de 1713 o arraial alcançou foros de Vila com o nome de São João del-Rei, clara homenagem a D. João V. Em 1714 passa a ser a sede da recém criada Comarca do Rio das Mortes.
ouro, a pecuária e a agricultura permitiram o desenvolvimento e progresso da vila, elevada à categoria de Cidade a 8 de dezembro de 1838.Diferentemente das demais cidades históricas mineiras, São João del-Rei encontrou saídas imediatas após o final do ciclo do ouro. Tal fato permitiu a "junção" harmônica, entre o antigo e o moderno.
Nasceram em São João del-Rei o presidente eleito do Brasil em 1985 Tancredo Neves, Cardeal Dom Lucas Moreira NevesOtto Lara ResendePadre José Maria Xavier (compositor sacro), Francisca Paula de Jesus (a "santa" Nhá Chica, nascida em 1808 no distrito são-joanense de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno e que está em vias de ser canonizada pelo Vaticano), dentre outros.
A cidade é tradicional na imprensa, tendo seu primeiro jornal fundado em 1827, o “Astro de Minas”, jornal de grande repercussão. Posteriormente, existiram jornais como o “Amigo da Verdade”, o “Mentor das Brasileiras”. Atualmente existem o tradicional “Jornal do Poste”, a “Gazeta de São João del-Rei”, de Andréa Neves, e a “Folha das Vertentes”, do Deputado Federal Reginaldo Lopes.
Outro importante veículo de comunicação existente na cidade é a TV “Campos de Minas”, afiliada à “Rede Minas”, porém com vários programas locais. A cidade também é conhecida por sediar a primeira biblioteca pública de Minas Gerais. Fonte:(http://pt.wikipedia.org/wiki/São_João_Del_Rei acesso em 11 de Novembro de 2009)

5.2. A história das rádios são-joanenses
5.2.1 - A rádio São João del-Rei foi a primeira emissora da cidade e região. Opera desde 1947 em 970 khz (AM). Com o slogan “A Rádio da Nossa História”, fundada por Tancredo Neves, tem uma programação voltada ao jornalismo e prestação de serviços. É famosa por suas transmissões ao vivo de eventos locais e jogos de futebol. Seus principais programas informativos atuais são o “Fala São João”, “Jornal das 10” e o “Jornal da Tarde”

5.2.2 - A segunda emissora voltada a São João del-Rei foi a Emboabas AM (com transmissores instalados na região que à época pertencia a Tiradentes e hoje pertence a Santa Cruz de Minas), fundada em 1978 por Lourival Gonçalves de Andrade, o então prefeito municipal “Zé Menino”. Operando em 1480 kHz, “Atende ao público que se interessa por assuntos jornalísticos e programas de formação de opinião (período da manhã, de segunda a sexta) e ao público que gosta do estilo popular (destaque para o Sertanejo e estilos temporários que não ferem a sensibilidade dos ouvintes). A Programação conta com programas de participação/oferecimento de músicas, apresentados por comunicadores altamente experientes (com público fiel, característica peculiar das Emissoras AM).”, segundo o site da Empresa (http://www.emboabas.fm.br/includes/home.php?miolo=aradio acesso em 16/09/09 as 12h37min). Seus principais programas informativos são o “Circulando pela cidade” e o “Jornal Emboabas”, esse último transmitido também pela Emboabas FM

5.2.3 – A Emboabas FM foi a primeira rádio em FM da região. No ar desde 1983 em 96,9 MHz, segundo seu site, “é uma rádio musical, com programação diversificada, promoções, participação de ouvintes e sempre ligada no crescimento de nossa cidade e região” (http://www.emboabas.fm.br/includes/home.php?miolo=aradio acesso em 16/09/09 as 12h40min). Seu único programa informativo atual é o “Jornal Emboabas” e seu fundador também foi Lourival Gonçalves de Andrade, o mesmo fundador da Emboabas AM

5.2.4 - A Vertentes FM opera desde 1994 em 97,7 MHz. É uma emissora de Andréa Neves, irmã do atual governador mineiro, Aécio Neves. Segundo o site da empresa “A Vertentes FM possui um formato de programação direcionado ao público jovem, mas em sintonia com o gosto musical de todos os seus ouvintes. Atendendo todas as faixas etárias, a 97FM conta com média de 65% na preferência geral. No público entre 12 e 29 anos, atingimos 90% do mercado, restando apenas 10%, distribuídos entre as demais emissoras. A 97 executa os grandes sucessos de todos os estilos e acompanha, através de seu formato interativo, a preferência musical de forma dinâmica e diversificada, o que permite atingirmos não apenas um público consumidor de poder aquisitivo elevado, mas também praticamente todo o mercado nas classes B, C e D. No público com renda acima de cinco (5) salários mínimos, somos líderes de audiência, contando com 90% desse mercado, dominando também as demais faixas(...) Com uma linguagem atual e dinâmica, a Vertentes FM está presente em todos os eventos culturais de São João del-Rei e região, e conta com ampla estrutura promocional, equipe qualificada e criativa, para levar o seu produto o mais próximo do seu cliente.” (http://www.vertentes.fm.br/site.php?nome=A%20Radio acesso em 16/09/09 as 12h46). Seu programa jornalístico é o “Informe 97”.

5.2.5 - A terceira FM da cidade é a Rádio Ecológica FM, no ar em 98,7 MHz, desde 1998, “tem por lema a defesa incondicional da família,Patrimônio,Ecologia e meio ambiente” segundo o site da rádio (http://www.ecologicafm.com.br/ acesso em 16/09/09 as 12h49). O “Programa Valdir Gomes” é o jornalístico da emissora.

5.2.6 - A recém criada rádio Sol FM está no ar desde 2008 em 98,7 MHz. Sua apresentação no site afirma que “a rádio Sol FM tem programas direcionados às pessoas de todas as idades e transmite blocos com informações e conhecimentos gerais, atendendo as necessidades da população. É uma emissora voltada ao social, dando total apoio a todos os Projetos Sociais de São João Del Rei e toda Região das Vertentes” (http://www.solfm98.com/empresa.html acesso em 16/09/09 as 12h54). O noticiário da casa é o “Rádio Jornal”.

6. Proposta de pesquisa
Pretende-se pesquisar os documentos existentes em acervos públicos, privados e nas próprias estações, além de fitas e fotos. Também serão realizadas entrevistas com personalidades que conheçam a história de algum dos objetos da pesquisa.
É necessário que se pesquise como foi a trajetória e evolução dessas emissoras e como isso repercute perante a população local. Espera-se que essa pesquisa contribua para se conhecer melhor o trabalho feito por esses veículos que tanto influem na vida da sociedade são-joanense.
É importante lembrar que o rádio é um veículo instalado em São João del-Rei desde 1947. Foi o primeiro contato da população com a comunicação em tempo real. O rádio ainda mantém sua importância, já que mídias mais modernas, como a televisão e principalmente a internet, ainda não estão plenamente consolidadas na região.
Espera-se que os dados publicados contribuam para que pessoas envolvidas no processo radiofônico, ouvintes e radialistas, conheçam a história do rádio regional e, consequentemente, observe os acertos e eventuais falhas, para que a qualidade do trabalho informativo das AM’s e FM’s seja cada vez mais elevada.


7. Referências Bibliográficas
BARBEIRO; Heródoto, LIMA; Paulo Roberto. Manual de Radiojornalismo. Rio de Janeiro. 2001
BOSI; Ecléa. A pesquisa em memória social.USP, São Paulo. 1993
DEL BIANCO; N. Cautela, riscos e incertezas na implantação do rádio digital no Brasil. Rio de Janeiro. 2001.
HAUSSEN; Doris. Rádio brasileiro: uma história de cultura, política e integração. Paulinas, São Paulo. 2004

MARTINO; Luiz. Abordagens e representação do campo comunicacional. in Comunicação, Mídia e Consumo: São Paulo. 2006.

ORTRIWANO; Gisela. A informação no Rádio. Summus, São Paulo. 1985
ORTRIWANO; Gisela. Radiojornalismo no Brasil. Dez estudos regionais. Comarte, São Paulo, 1987
RAMOS; Murilo César. Comunicação, direitos sociais e políticas públicas. In Sociedade da Informação e Novas Mídias: São Bernardo do Campo. 2005.

Universidade Federal de São João del-Rei
Curso de Comunicação Social – 2º período 2009
Disciplina: Cultura Brasileira – Profª. Maristela Duarte
Atividade: Artigo Científico
Aluno: Bruno Ribeiro Caputo

Axé Music: O ritmo baiano como elemento de fuga da rotina diária de trabalho obrigações, castigos e infelicidades, no Brasil.

Assunto
A música do Carnaval da Bahia, como integrante do carnaval do Brasil.

Introdução
O carnaval é definido como ‘liberdade’ e como possibilidade de viver uma ausência fantasiosa e utópica de miséria, trabalho, obrigações, pecado e deveres (DaMatta, 1991,p.73). Entre os diversos estilos musicais presentes nessa festa popular, o Axé-Music se destaca por ser um importante movimento musical e cultural do país. Diante disso, é objetivo deste trabalho entender como o Axé passou a ocupar espaço no carnaval, a partir da década de 1990, além de estar atualmente em evidência na mídia. Essa informação ajuda a conhecer o interrelacionamento entre a cultura popular brasileira e a indústria cultural, que contribuiu para que o Axé-Music se tornasse importante para parte da população brasileira que participa desse movimento cultural. Além de investigar as características do Axé-Music e o contexto de sua popularização.

Carnaval, axé-music, cultura popular e música
Para Roberto DaMatta (1983;1991), o carnaval é o ritual nacional do povo. Diferentemente da semana santa, que é o ritual do clero, e da semana da pátria, que é a celebração do estado e do poder constituído, o carnaval é a festa do povo, marcada por alegria e espontaneidade dos participantes. O carnaval é o momento em que a população tem a sensação de que as hierarquias foram quebradas, o que proporciona uma inversão da normalidade marcada por compromissos, humilhações, trabalhos, problemas e tristezas. É o momento de encontro da população, que se torna homogeneamente diferente. Isso porque as pessoas vestem fantasias, o traje do carnaval, o que permite que cada pessoa seja, durante a festa, o que desejar. Reis, rainhas, empresários, políticos, etc... A fantasia permite a invenção e a troca de posições, a pessoa ser o que ela gostaria de ser na realidade.
Nessa festa as pessoas estão livres e iguais entre si, como gostariam de ser o ano todo, atingindo o limite máximo da informalidade. Elas brincam, se divertem, esquecem os problemas, se unem e sentem-se felizes. Portanto, o carnaval é a oportunidade de se fazer “tudo ao contrário: viver e ter uma experiência do mundo como excesso (...) de prazer, de riqueza” (DaMatta, 1991,p. 73).
O carnaval, tradicionalmente, é embalado pelo samba e pelas marchinhas. Ainda segundo DaMatta(1991,p. 69), “na construção da festa, a música que congrega e iguala no seu ritmo e na sua melodia é algo absolutamente fundamental no caso brasileiro”. “No carnaval nós cantamos e nos harmonizamos, movimentando nossos corpos em ritmos acasalados, em vez de reclamar, discursar ou escrever. Aqui, a mensagem deixa de ser importante e o que vale é também o canto pelo canto, a música pela música, a alegria pela alegria” (DaMatta, 1991,p. 76). Essa colocação sugere que as letras dos sambas e marchinhas que embalam os bailes carnavalescos não necessitam, e nem devem, levar nenhuma mensagem que não seja unicamente aquela que proporcione alegria ao folião, inclusive usando letras com apelo sexual e de duplo sentido. A música, pois, era um dos elementos de libertação da rotina durante o carnaval.
No entanto, ainda buscando a mesma alegria e liberdade no carnaval, a partir dos anos 1990, começou a ocorrer uma mudança de preferências musicais no carnaval. Nessa época, o Axé Music[1], que já era popular no Carnaval da Bahia, passou a também fazer parte da realidade de festas carnavalescas de outros estados brasileiros e, consequentemente, disputar espaço com o samba e as marchinhas. Com essa mudança na realidade do carnaval, o Axé Music também passou a se inserir como elemento de fuga da rotina diária no Brasil durante o carnaval. Além disso, o Axé faz parte do cotidiano musical do brasileiro até fora do período carnavalesco, tendo seus sucessos tocados em diversas emissoras de rádios[2]. Assim, um pouco da sensação libertadora do carnaval passou a ser sentida também em outras épocas.
Na obra “Notas sobre a indústria do entretenimento musical e identidade no Brasil” de Simone Pereira de Sá, são demonstradas algumas características dos grupos de Axé, que, segundo a autora, “combinam coreografias bem elaboradas, complicadas, mas com um toque distinto do samba tradicional das quadras de escola de samba, com letras singelas, com temática picante ou lúdica – explicitamente sexual ou de duplo sentido, apelando para trocadilhos; e influências rítmicas que vão do maxixe ao samba de roda”. Já Mônica Leme, no artigo “Segure o tchan!’: Identidade na Axé-music dos anos 80 e 90” (2001, p. 7), considera que o axé, “além de caracterizar-se por sua autonomia, está firmemente fundado sobre matrizes culturais históricas, frutos da afirmação de uma cultura afro-brasileira em que a hibridação e a construção de novos contextos foram os meios possíveis de sobrevivência de “territórios perdidos” (África e Europa, principalmente) e de “identidades” (bantos, portugueses, entre outras)”.
Leme, ao analisar os vários grupos de axé, principalmente o “É o Tchan”, em seu artigo, pôde verificar como a Indústria Cultural aproveitou as características do carnaval para vender ilusões e sonhos aos foliões. Tal constatação deve-se ao fato de que algumas das estratégias da Indústria Cultural são as padronizações dos produtos – outrora, obras de arte - produção em série, o que faz com que tudo apresentado ao público, mesmo que aparentemente diferente, seja, em essência, igual (Adorno; e Horkheimer, 1985 p.114), e que o Axé comercial sofreu alterações pois se “hibridiza com matrizes modernas do pop internacional, expresso no formato dos espetáculos (os shows, os clips, as  apresentações na TV) e do uso de citações musicais (do rock, do twist, da “música árabe”, da “música oriental”) e de instrumentos como o sintetizador e saxofones” (Leme, 2001, p. 7).
Manteve-se inalterado, porém, as “matrizes culturais do “realismo grotesco”, da “cultura do circo”, o mito da sensualidade da “mestiça nacional”, do gênero lundu na sua forma popular, revelada pela sua ligação com o samba-de-roda. Sua música, portanto, evoca e organiza a memória coletiva (matrizes culturais) e as experiências de lugar (territorialidade e lugar social). Estão ali representados a cidade de Salvador, a região do Recôncavo (identidades), o carnaval de rua (com suas transgressões, liberalidades e brincadeiras), a linguagem da classe popular (em choque com a língua culta e hegemônica)(Leme, 2001, p.5).” Comparando essas características com as de músicas que embalaram os carnavais por várias décadas antes da de 1990, somados aos elementos da música pop difundida pela indústria cultural, podemos começar a entender porque o Axé ganhou espaço no carnaval e também na mídia radiofônica e televisiva.
Diferentemente do carnaval tradicional, em que os participantes tinham liberdade para se fantasiarem e dançarem como desejassem, no “carnaval do axé”, houve uma “padronização das fantasias”, e das coreografias. O axé “está inundado da força do carnaval de rua soteropolitano, no qual o escracho, a liberação dos gestos e do corpo através da dança (das coreografias coletivas) fazem parte da memória popular” (Leme, 2001, p.7). “Há também uma forte valorização do corpo na tradição cultural de Salvador(e mesmo nacional). (...) as culturas afro-americanas têm usado o corpo, como se este fosse seu único capital cultural. Esta supervalorização do corpo pode ser vista como um reflexo das diferenças socioeconômicas existentes no Brasil. O corpo, para as classes populares, tem sido um importante meio de ascensão social. O atletismo, o futebol e mesmo a dança dos blocos afro e dos grupos de pagode foram um forte meio, através da corporalidade, para a conquista de prestígio, riqueza e inserção social. São inúmeros os ídolos nacionais que vieram de classes pobres. (...)o mito da ‘preferência masculina nacional’ (as nádegas femininas) são elementos a mais para explicar a forte identificação do público com o axé” (Leme, 2001, p.7).
Em síntese, o carnaval é para DaMatta um momento de eliminação das fronterias sociais, em que as pessoas tem seus papeis sociais invertidos (DaMatta, 1983) e o axé, para Mônica Leme (2001,p.3), é capaz de mediar a questão das diferenças, das identidades, da hibridação. Ou seja, o axé pode sim fazer parte desse movimento carnavalesco de libertação das rotinas do povo. Além disso, o impulso dado pela indústria cultural foi capaz de “exportar” o ritmo para os centros culturais historicamente consolidados (Rio e São Paulo), para a Europa e os Estados Unidos, e de fazer com que o ritmo seja tocado nas emissoras de rádio de todo o Brasil durante o ano todo, sem contar que, em 2000, o axé respondia por 3% da venda de discos no país (Moura, 2002, p. 92). Isso permite, ao ouvinte, que mesmo em dias de trabalho e de rotina, a audição de músicas de axé traga a mesma sensação libertadora proporcionada pelo carnaval.
Mas então porque a indústria cultural investiu para que o axé fosse um gênero cosmopolita, ao invés de fazer isso com o samba, que já estava consolidado como “gênero nacional” (Leme, 2001, p. 4)? Primeiramente, é preciso lembrar que os músicos baianos tradicionalmente são mais abertos à hibridização. O Lundu, uma das influências da axé-music, por exemplo, ainda no século XIX se hibridizou com matrizes européias, incorporando a viola-de-arame e posteriormente do piano no acompanhamento (Leme, 2001, p. 3)
Simone Pereira de Sá (2004, p.5-6) lembra que por volta de 1930 intelectuais do país “elegeram o samba” como a cultura popular oficial do país, mas essa escolha teve como “base apenas a matriz rítmica da cultura carioca, em que se encontram heranças musicais distintas; e por base ideológica a ideia da mestiçagem.(...) A partir daquele momento, portanto, o Brasil se tornou o país do Carnaval e ‘quem não gosta de samba, bom sujeito não é’(...) Nesse processo de legitimação da autenticidade, seus autores esqueceram-se das misturas,  fusões e influências diversas que originaram o samba.” Isso garantiu qualidade, sofisticação e êxito do samba, que se estabeleceu como ritmo nacional.
Contudo, os “guardiões do samba” empurravam as outras manifestações musicais para escanteio, sob a alcunha de regionais, e se empenhavam em “não deixar o samba morrer”, estabelecendo “qual é o "verdadeiro" samba, ou a que ponto os elementos "tradicionais" podem ser alterados sem prejuízo dessa "pureza" original. Portando, “o projeto de ‘nacionalização’ do samba foi tão bem-sucedido, e que os guardiões da ‘tradição’ foram tão zelosos e reativos a qualquer tentativa de fusão deste ritmo com outros, que, paradoxalmente, provocaram a sua  cristalização em torno da fórmula ‘cavaco, pandeiro, tamborim’ e pouca coisa mais, tomando como máxima o apelo de Paulinho da Viola: ‘não me altere o samba tanto assim’”.(SÁ, 2004, p.5-6)
Lembrando o que é colocado por Roberto DaMatta, o carnaval é uma festa em que “as pessoas estão livres e iguais entre si, atingindo o limite máximo da informalidade. Elas brincam, se divertem, esquecem os problemas, se unem e sentem-se felizes. Portanto, o carnaval é a oportunidade de se fazer “tudo ao contrário: viver e ter uma experiência do mundo como excesso (...) de prazer, de riqueza” (DaMatta, 1983). Ora, mas então se perde um pouco da essência da festa carnaval, quando o ritmo musical é imposto por intelectuais cariocas, já que a música de uma festa livre, também deveria ser livre.
O público, por sua vez, começou a ouvir e consumir novos estilos musicais. Podemos observar uma diminuição da hegemonia do Rio de Janeiro como "capital cultural" do país, lançadora absoluta de gêneros e intérpretes; ou pelo menos a possibilidade do surgimento de pólos de cultura "regionais" – bandas de rock gaúchas; ritmos da cultura sertaneja; vigorosos grupos que representam o movimento de arte e cultura chamado de mangue beat, em Recife; além da diversidade de ritmos da música baiana, que se articulam em níveis diversos de independência com o grande mercado "nacional".
No caso do Axé-music, parte da crítica musical fez questão de depreciar este tipo de música, classificando-a de comercial e ignorando o diálogo com algumas tradições brasileiras – sejam elas a influência do samba de roda do recôncavo baiano; a utilização de recursos muito presentes, por exemplo, nas marchinhas carnavalescas, que é o uso do duplo sentido, das sentenças maliciosas e jocosas; ou ainda a fidelidade ao mito da miscigenação, que implica no convívio harmonioso de raças –, presente de forma didática na composição dos integrantes do grupo e também nas letras  (SÁ, 2004, p.6-11).
Nessa situação, o panorama atual indica que o samba "tradicional" sobrevive sim, mais vivo do que nunca e ainda sustentando ao mesmo tempo o seu "projeto de brasilidade" e a bandeira da "pureza" e da "autenticidade". Porém estamos diante de uma batalha simbólica inserida nesse complexo cenário da cultura brasileira. De um lado, a tradição cristalizada e estabelecida: o Carnaval carioca, as escolas de samba, o samba "autêntico" do Rio de Janeiro, as mulatas e suas coreografias sensuais, mas já reconhecidas como parte da tradição; de outro, o pagode, os trios elétricos, a axé music e seus derivados, cujos modelos de celebração carnavalesca conquistam cada vez mais o interesse dos jovens brasileiros, que têm, com o Axé, a possibilidade de dançar de forma diferente da forma carioca, e de retomar "antigas" formas de sociabilidade ligadas à música de Carnaval, feita para brincar, celebrar, "estar junto", sem compromisso com a militância político/social de uma parcela respeitável da MPB (SÁ, 2004, p.10-11).
Pode-se concluir, pois, que esse movimento de preservação da cultura sambista carioca intacta e livre de outras influências, somado à tendência de descentralização da cultura musical do país, além do fato de músicos baianos serem mais adeptos a inovações modernas e internacionais, proporcionou à indústria cultural condições ideais para se investir na música baiana como o novo ritmo oficial do carnaval e, consequentemente, proporciona lucros aos gerentes da indústria cultural.

Referências
ADORNO, Theodor W. e HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro, Zahar, 1985.
Axé (gênero musical) - Wikipédia, a enciclopédia livre. 2009 Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Axé_Music> Acesso em 20 nov. 2009
DAMATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. Rio de Janeiro: Rocco, 1983.
DAMATTA, Roberto. O que faz o Brasil, Brasil? Rio de Janeiro: Rocco, 1991.
LEME, Mônica; ’Segure o tchan!’: Identidade na Axé-music dos anos 80 e 90. São Paulo, 2003
MOURA, Roberto M. Sobre Cultura e Mídia. São Paulo: Irmãos Vitale, 2002.
SÁ, Simone Pereira de. "Notas sobre a indústria do entretenimento musical e identidade no Brasil". In: Comunicação, Mídia e Consumo-ESPM, São Paulo - SP, 2004.
SANTOS, Pedro Paulo Procópio de Oliveira. Uma reconstrução de significados  para  a  identidade cultural da etnia negra baiana. Uma abordagem do discurso televisivo face ao carnaval do estado. Salvador, 2006.
Tmpage. 2008  Disponível em: <http://www.hot100brasil.com/timemachinemain.html> Acesso em 20 nov. 2009


[1]In: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Axé_Music>.Acesso em 29 de outubro de 2009.
[2] <http://www.hot100brasil.com/timemachinemain.html>. Acesso em 29 de outubro de 2009.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

OI. IRRESPONSÁVEL!

Como a OI é engraçadinha e irresponsável. Depois de 3 meses pagando por 10Mb e recebendo 150Kb, ela me dá a seguinte resposta sobre minha exigência de desconto da conta. Eu não devia pedir desconto, devia pedir um técnico. Mas eu já agendei a visita de um técnico desde 16 de outubro e o desgraçado não aparece. Não quero nem saber, vou cancelar essa MERDA DE OI VELOX e recontratar a Conecta. Por favor, se vc quer evitar que mais um consumidor seja enganado e lesado por esse empresa irresponsável, COMPARTILHE ISSO! NUNCA CONTRATE SERVIÇOS DA OI!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Troféu em forma de gente

“Os nossos troféus não estão pendurados na parede. Eles estão nas ruas, trabalhando, estudando, são cidadãos de bem”, é assim que um dos coordenadores da academia Shizen Dojô, Luthero Castorino da Silva, define, com orgulho, as vitórias da entidade de São João del-Rei. É com essa filosofia que são oferecidas aulas gratuitas de Judô e outras artes marciais para cerca de 50 crianças e jovens, trabalhando com eles aspectos psíquicos, morais e sociais, por meio do esporte e da filosofia oriental de disciplina. Uma característica inédita da entidade é não participar de competições com outras academias.

Os quatro professores voluntários e o mestre-fundador da entidade, Roberto Ideack Satto, visam em suas aulas usar o esporte como instrumento de prevenção contra as drogas. “Nós trabalhamos a cabeça deles antes. Diga não às drogas. Então nós estamos sempre trabalhando na prevenção”, explica Luthero Silva. Um dos alunos, Diogo de Almeida, de 15 anos, afirma que “nas aulas a gente aprende a ter um bom convívio social e familiar, boas normas de conduta, boas notas na escola e uma boa relação no trabalho”. Já o aluno Marlon Chagas, de 13 anos, aprendeu que “O judoca deve se manter afastado de brigas e confusões”.

A postura da entidade é que o principal para o aluno é se superar e não superar o próximo em competições. Assim, a entidade criou uma forma diferenciada de avaliação para os judocas conquistarem graduações superiores, que não consideram apenas os golpes na prova.

Luthero Silva explica que “acontecem exames de seis em seis meses. E a filosofia é diferente. Conta mais pra nós a nota da escola do que do conhecimento propriamente dito do Judô. Então, a nota da escola é eliminatória, a do lar é eliminatória, pois os pais vêm aqui dar a nota. E por último a do Judô”.

Além de Judô, os jovens também podem aprender Kung Fu, Tai-chi-chuan, defesa pessoal, Kempô e algumas outras artes marciais. O amor à natureza também faz parte dos ensinamentos. Luthero Silva conta que periodicamente leva alunos para aulas na fazenda, junto à natureza.

Surgimento e manutenção

O Shizen Dojo surgiu em 10 de outubro de 1986, sempre mantido sem apoio público e com a ajuda de empresários e colaboradores. Atualmente, enfrenta sérias dificuldades. Após atraso de seis meses no aluguel, foram despejados do prédio em que atuavam. Em julho, as aulas passam a ser oferecidas na sede própria ainda em construção. Alguns voluntários ajudam nas obras para receber os alunos e professores, mesmo de forma emergencial e precária. Para se obter mais informações sobre o instituto de Judô Educacional Shizen Dojo os telefones de contato são (32) 3372-4296 ou (32) 3372-8832.